Lubrificantes Durex: a gama explicada (e o que muda no genérico)
As famílias da gama Durex, como se aplica na prática, e o que muda quando compras um lubrificante da mesma base sem a marca.
Um lubrificante Durex usa-se como qualquer outro da mesma base: uma dose pequena nos dedos, espalhada na entrada e à volta, no preservativo já colocado ou no brinquedo, e mais uma sempre que o deslize diminuir. O que muda, e muda tudo, é a base: água ou silicone. É ela que decide quanto tempo dura, como se limpa e com que brinquedos pode ser usada. Com preservativos, as duas são compatíveis: o que degrada o látex é o óleo, e nenhuma delas o tem.
Dito já, para não haver equívocos: nós não temos Durex à venda. Escrevemos esta página na mesma, porque a resposta honesta não depende do nome no frasco, depende da composição.
A gama Durex explicada por famílias
A marca começou nos preservativos, e isso explica uma constante: são fórmulas feitas para conviver com o látex. São três famílias. As Play, à base de água, onde vivem as variantes de sensação. As Naturals, também de água, apresentadas com lista de ingredientes mais curta e sem perfume. E a Perfect Glide, a de silicone. Os nomes comerciais mudam com os anos e de país para país: a leitura fiável é a base impressa na embalagem.
As de base de água
É a esta base que pertence a linha Play, e é a mais versátil que existe: combina com preservativos de látex e sem látex, com brinquedos de qualquer material, incluindo silicone, e sai só com água. Em troca, é absorvida e evapora mais depressa, o que obriga a reaplicar. Todas as fórmulas de água fazem o mesmo.
A de silicone
A fórmula de silicone da gama vende-se como Perfect Glide e é apresentada para uso anal e sessões demoradas. Não seca, aguenta dentro de água e rende muito mais por dose. As ressalvas são as de sempre: não se usa com brinquedos de silicone, porque com o tempo pode marcar a superfície, e precisa de sabão.
As Naturals e as sem perfume
As Naturals são apresentadas como fórmula mais simples, para quem prefere menos ingredientes ou nenhum cheiro. Continuam a ser lubrificantes à base de água: se a lista é mesmo mais curta, isso lê-se no verso da embalagem.
As de sensação e as 2 em 1
As versões com sensação de calor, de frescura ou de formigueiro, e as de massagem, são fórmulas de água com ingredientes acrescentados. A mucosa é bem mais sensível do que a pele do antebraço, e o que mal se nota ali pode ser intenso noutro sítio. Na primeira vez, uma dose mínima chega.
A nossa secção de lubrificantes íntimos está organizada por base e por formato, que é como estas famílias se comparam.
Como se usa, passo a passo
- Começa com pouco. Meia colher de chá chega. Acrescentar é fácil; tirar o que está a mais, não.
- Com preservativo, aplica por fora, depois de o colocares. Uma gota dentro da ponta é prática corrente; em excesso, escorrega.
- Com brinquedo, cobre o brinquedo e a pele à volta. Camada fina em ambos e não há arranque a seco. Se for de silicone, usa base de água.
- Reaplica sem cerimónia. Na base de água, um pouco de água nas mãos devolve o deslize.
- Limpa e guarda. Água morna para a base de água, sabão para o silicone.
Para uso regular, um frasco médio à base de água resolve quase tudo, e a conta ao mililitro faz-se sozinha. O Lubrificante à Base de Água 2 em 1 Eros 100 ml (26,95 €) é o formato de mesa de cabeceira; o Lubrificante à Base de Água CoolMann BodyGlide Cobeco Pharma 150 ml (27,47 €) leva mais 50 ml por 52 cêntimos: 0,18 € por mililitro contra 0,27 €. Quem usa com regularidade compra o frasco grande; a bisnaga é para a mala.
Compatibilidades: o que combina com o quê
| Base | Preservativo de látex | Brinquedo de silicone | Dentro de água | Limpeza |
|---|---|---|---|---|
| Água | Sim | Sim | Dilui-se e sai | Água |
| Silicone | Sim | Não recomendado | Aguenta | Sabão |
| Híbrido | Sim | Depende da percentagem; na dúvida, não | Aguenta em parte | Água e sabão |
| Óleo ou vaselina | Não: degrada o látex | Não em TPE/TPR (poroso); tolerado em silicone, vidro e aço | Aguenta | Sabão, com dificuldade |
O material do brinquedo conta. Vidro e aço não têm poros: aceitam qualquer base e lavam-se por completo. TPE, TPR e os chamados jelly são porosos, retêm produto e custam a limpar. Para silicone, a base de água é a escolha simples.
Para uso anal, onde a quantidade e a duração contam mais, há duas escolhas: um silicone como o Lubrificante de Silicone Mega Power Eros 250 ml (33,95 €), ou um gel de água aplicado com generosidade. O nosso guia de sexo anal explica a diferença; as duas bases estão lado a lado na página de lubrificantes.
Ler o rótulo: pH, osmolalidade e ingredientes
É o verso da embalagem que separa duas fórmulas da mesma base. Três coisas valem a leitura.
pH. O meio vaginal de uma pessoa em idade fértil situa-se, como referência habitual, entre 3,8 e 4,5; o reto está mais perto do neutro. Para uso vaginal, procura uma fórmula na casa dos 3,8-4,5; para uso anal, o intervalo indicado vai de 5,5 a 7. Algumas embalagens indicam o valor; muitas não.
Osmolalidade. É a concentração de partículas dissolvidas na fórmula, e é por causa dela que existem valores de referência. O mais citado vem da nota consultiva de 2012 da Organização Mundial da Saúde, com o UNFPA e a FHI 360, sobre lubrificantes usados com preservativo: idealmente abaixo de 380 mOsm/kg, limite de 1200 mOsm/kg. Poucas marcas publicam o número.
Ingredientes. A glicerina é um humectante comum na base de água, e é ela que em concentração alta costuma puxar a osmolalidade para cima. O propilenoglicol aparece como humectante ou veículo, e os parabenos como conservantes: são dois dos nomes mais frequentes nas listas.
Duas coisas que o rótulo não diz. A primeira é a quantidade: para uso anal precisas de mais do que julgas — pensa numa colher de sopa, não numa de chá, e repõe de dois em dois minutos em vez de esperar que o deslize acabe. A segunda é o que não serve: saliva seca em segundos e cremes de corpo não são lubrificante. E fica dito: usar lubrificante não corrige nada. Usa-se porque desliza melhor, e a secura que aparece com medicação, amamentação ou menopausa é comum e não é defeito de ninguém.
Há uma fronteira que o rótulo não atravessa: se houver dor, ardor persistente, uma infeção, gravidez ou medicação envolvida, essa conversa é com um profissional de saúde.
O que é igual e o que muda num genérico da mesma base
Entre um Durex de base de água e outro lubrificante de base de água, é igual tudo o que decide a compatibilidade: o comportamento com o látex e com brinquedos de silicone, a limpeza, a necessidade de reaplicar. A base é a base, venha de onde vier. O que pode mudar é a fórmula dentro dessa base.
Muda a lista de ingredientes, porque duas fórmulas de água podem ter conservantes e humectantes distintos. Mudam os formatos — a mesma base tanto se vende em bisnaga de 30 ml como em frasco de 250 ml, e é o volume que faz a conta ao mililitro — e muda a informação técnica publicada. De uma marca grande espera-se distribuição ampla e um produto igual de lote para lote.
A marca é uma das variáveis. Decide pela base e pelo volume que vais mesmo gastar — é assim que a nossa gama de lubrificantes está feita para ser lida — e o guia como escolher o lubrificante íntimo percorre essa decisão passo a passo.
Perguntas frequentes
Como se usa o lubrificante Durex Play?
Aplica pouco, cerca de meia colher de chá, nos dedos; espalha onde vai haver atrito, no preservativo já colocado ou no brinquedo; reaplica sempre que o deslize diminuir. Confirma a base na embalagem: sendo de base de água, sai com água morna, e um lubrificante de base de água é compatível com preservativos e com brinquedos de qualquer material, incluindo silicone. Nas versões com sensação de calor ou de frescura, começa por uma dose mínima.
Posso usar lubrificante Durex com preservativo?
As bases de água e de silicone são as que convivem com o látex e com os preservativos de poliuretano — confirma sempre a base e as indicações na embalagem do lubrificante e do preservativo. O que não se combina com látex é qualquer produto com óleo: vaselina, óleos de massagem, óleo de coco, cremes gordos, porque o óleo degrada o material. Aplica por fora depois de colocares o preservativo, e pouco no interior.
O lubrificante da farmácia é melhor do que o de uma loja de produtos íntimos?
Não é melhor nem pior por ser de farmácia: as bases são as mesmas — água, silicone e híbrido, e ainda as de óleo, que não se usam com látex — e as regras de compatibilidade não mudam de balcão para balcão. O que muda é a escolha que tens à frente. Ao balcão encontras duas ou três referências, quase sempre de água e em formato pequeno, e ninguém te diz se aquilo pode ir a um brinquedo. Numa loja como esta escolhes pela base e pelo volume que vais gastar, com a compatibilidade escrita ao lado do produto. E não tens de dizer a ninguém para que é.
Quanto tempo dura um lubrificante depois de aberto?
Depende da embalagem. Muitas trazem o símbolo do boião com a tampa ao lado e um número seguido da letra M (12M, por exemplo): são os meses de uso depois de aberto. Outras, sobretudo as registadas como dispositivo médico, trazem só o prazo de validade, e é por esse que se guia. Guarda-o fechado, ao abrigo do sol e do calor. Se a textura, a cor ou o cheiro mudarem, abre um novo.